Lugar de criança NÃO é na cama dos pais!

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Não é estranho ouvirmos pais comentarem que estão com dificuldades de conseguir deixar o filho dormindo no seu próprio quarto sozinho. Esse movimento das crianças dormindo no quarto dos pais é um comportamento que tem início, muitas vezes, logo que o recém nascido chega em casa. Naquele momento a mãe está fragilizada e sente-se insegura de deixar o seu pequeno bebê dormindo no quarto sozinho, afinal foram nove meses de um vínculo intenso, além do cansaço que toma conta dos pais nos primeiros meses do bebê em casa.

Com isso, o tempo vai passando e nada do bebê ser levado para o seu cantinho e com o passar de mais algum tempo ele acaba ganhando a permissão de ir dormir no quarto dos pais na hora que quiser. Quando a família se dá conta o hábito já está instalado e a criança já não consegue mais passar a noite longe da cama dos pais. E que pai vai negar que é prazeroso ter um filho por perto? Fazer o filho permanecer por perto é desfrutar de um prazer constante, pois ele está ali diante dos olhos e ao alcance das mãos, tem coisa melhor para sentir que estão todos protegidos?

Para a criança esse momento, também, é prazeroso, pois há o conforto da companhia, uma maior sensação de segurança, o contato, que as vezes devido à rotina corrida falta durante o dia, são fatores de grande satisfação para as crianças. Embora exista prazer para as crianças e para os pais não é um hábito saudável para a família. Atualmente, existem inúmeras teorias e direcionamentos sobre o que esse hábito pode ocasionar para a criança. Alguns estudiosos acreditam que esse hábito pode ocasionar complicações no desenvolvimento e adequação infantil.

Quando a criança cresce os pais, muitas vezes, tentam colocá-la de volta ao seu quarto, a criança como não está habituada com essa rotina, resiste e diante disso os pais permitem que ela volte a dormir em suas companhia. Aqui podemos ver o primeiro problema, a falta de limite. Conseguir o que queria com a resistência faz com que a criança entenda que sempre há uma possibilidade de permanecer junto a eles. Não é raro, também, encontrar crianças com o sono perturbado por pesadelos quando dormem em seus quartos e até não sentem-se bem no ambiente que é para ser delas.

Crianças que dormem no quarto dos pais tendem a apresentar um padrão de dependência acima do esperado, isso, algumas vezes, alimentado pela própria insegurança dos pais que acabam por super proteger o filho causando até uma diminuição significativa no repertório de habilidades diárias e sociais da criança. Esses filhos tornam-se crianças dependentes e repetem esse comportamento na hora de dormir, não conseguindo ficar distante dos pais.

Além disso, existem, também, implicações para a intimidade do casal. Normalmente, os casais têm a sua intimidade sexual no momento de dormir e como isso vai acontecer na presença de uma criança? A criança não deve presenciar cenas de relação sexual dos pais e não deve ser usada para sustentar a falta de relação em casais que não estão bem. Outro ponto a ser observado é quando temos mãe ou pai separados ou viúvos e a criança ocupando o lugar do cônjuge na ausência desse, aquele lugar não a pertence e no momento em que mãe ou o pai for se unir com outra pessoa a perda desse lugar trará grande sofrimento para a criança.

Poderíamos passar um bom tempo aqui levantando possíveis complicações causada para a criança e para a família quando esse hábito é uma realidade, mas o que pretendo mostrar é que por mais difícil que pareça ser, o lugar da criança é na sua cama, no seu quarto. Acredita-se que a partir dos 6 meses de vida, sob monitoramento noturno dos pais, a criança já possa dormir sozinha. Nessa fase na qual o filho ainda é pequeno e se faz necessário que os pais desloquem-se até o quarto dele para um suporte é ideal que aconteça um revezamento entre os pais para que a fadiga não traga a criança para dentro do quarto deles de novo.

O momento de dormir deve ser prazeroso para pais e filhos e para isso acontecer pode-se contar histórias, ouvir musicas, dentre outros. É importante para a criança, que seja estabelecido uma rotina e um cantinho confortável e acolhedor para a hora do sono. E por fim, essa transição deve ser feita de forma processual com o afastamento gradual dos pais até que a criança sinta-se segura para dormir a noite toda sozinha. E vale lembrar, manter a palavra e o combinado é muito importante.

Chegamos aqui ao fim de mais uma matéria, se você está encontrando dificuldades de conseguir fazer essa transição procure um psicólogo, pois daremos o suporte e poderemos verificar se existe algo além do hábito que está impedindo a criança de dormir sozinho, pois pode existir outros fatos que terão que ser resolvidos antes da criança dormir só.

Até a próxima. Boa semana.

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